sábado, 22 de setembro de 2007

Cilon

Homenagem ao patrono do ATC 2007/2

Se o paraninfo é considerado o “dindo” da turma, pode-se dizer que o patrono é o “pai”, a figura primeira que nos guia durante nossa caminhada, a mão que ampara nos momentos de dificuldade e, por mais que o tempo passe, permanece lá, atento e cuidadoso observando os primeiros passos dos seus “pequenos”.


Durante nossas trajetórias acumulamos figuras assim, eles aparecem nos períodos de transição, de incertezas, de desafios. Cada um deles representa um pedaço importante da nossa história e fica marcado como o um novo capítulo no livro de nossas vidas. Alguns desses capítulos contam com muitas páginas, outros nem tanto, mas de uma forma ou de outra permanecem eternizados no percurso de cada um. Pois assim é a figura de um pai, discreta e perene.

Refletindo não apenas sobre o título “patrono”, mas especialmente sobre a simbologia paterna e carinhosa que ele induz, nossa decisão não poderia ser mais coerente e unânime, afinal, cada um dos formandos e dos professores, aqui presentes, encontraram em você, Cilon, um mestre e guia.


Foi você que nos carregou e introduziu ao mundo apaixonante da comunicação, transformando nossa maneira de ver o mundo e nos apoiando na interminável jornada em busca do conhecimento.


Essa nomeação para patrono do ATC 2007/2 não deve ser lida apenas como uma forma de reconhecimento a sua incansável dedicação, mas sim como um sincero e emocionado MUITO OBRIGADO! Uma tentativa singela de dizer-lhe que se hoje estamos aqui é graças ao seu empenho, que nossas conquistas hodiernas e futuras iniciaram junto as nossas primeiras aulas de Teorias da Comunicação e que, a sua imagem, será para sempre um exemplo e um símbolo para cada um de nós do que é ser um verdadeiro Comunicador.

Como mestre persistente, você nos mostrou através de suas convicções que um ensino de qualidade cria profissionais competentes e conscientes de sua função social. Como um “pai” escolhido, você nos apresentou um novo mundo, humanizou a comunicação e nos fez amá-la.

Sua múltipla figura há mais de 40 anos vem formando, educando e sendo parte de cada estudante que passa pela Escola de Comunicação da UCPel. Sua presença enobrece e cativa, suas aulas ensinam a pensar a comunicação e a reconhecer a fundamental importância deste pensar.Além disso, sua incessante persistência em desenvolver junto com os alunos um pensamento crítico sobre os meios de comunicação, suas mensagens e a importância do receptor neste processo, é algo que perpetua em nossas mentes como uma eterna referência.

Por isso e pelo que as palavras não conseguem expressar, gostaríamos de agradecer pela honra de tê-lo como parte de nossas vidas seja como mestre, como guia, como um “pai”. Mais uma vez queremos agradecer!


Saiba que através de suas pegadas iremos seguir e construir nossos próprios caminhos, iluminados, sempre, pela sua contagiante paixão pelo maravilhoso mundo da comunicação social.

3054

Nosso silêncio mata e nossa culpa não cala

O circo estava todo armado e o país estava em festa mais uma vez, o Pan monopolizava os discursos da mídia ganhando a notoriedade típica dos carnavais. A violência parecia ter sido resolvida junto aos demais problemas do país, o que importava era o número de medalhas, a festa da torcida e a tão popular receptividade dos tupiniquins.


Mas por obra do destino ou, como prefiro acreditar, como reflexo da incompetência dos nossos eleitos representantes, a “fantasia brasileira caiu” e permitiu que nossa decadente realidade se mostrasse cruel e vil como há muito tempo já o é. Desta vez, nem mesmo o carnaval poderia obscurecer nossa visão, não havia mais como fugir. Nossos compatriotas estavam ao vivo em meio ao fogo, mortos anunciados pelo silêncio e pela inércia nacional, foi impossível negar a gravidade do fato e, passado o tempo, é impossível não lembrar.


A queda do vôo 3054 da Tam não foi uma tragédia e tampouco um acidente, o que vimos, ou melhor, o que o mundo inteiro viu foi o assassinato de milhares de pessoas, isso mesmo, milhares. A lista de mortos concedida pela Tam e divulgada por toda imprensa contabilizou, erroneamente, apenas as irreparáveis e indesculpáveis mortes físicas de centenas de pessoas, mas a meu ver as perdas vão muito além das contabilizadas.

No airbus não estavam apenas os passageiros, lá estavam famílias inteiras, sonhos, projetos de vida e um pedaço de cada um de nós. As chamas do prédio queimaram as esperanças de milhares, mataram parte do tradicional otimismo brasileiro que, quase sempre, chega perto da alienação, da utopia e do comodismo.

Muitos perderam a vida, outros a razão de viver, mas todos que sobreviveram ao último dia 17 de julho perderam a chance de serem inocentes. Somos todos culpados, assistimos passivamente a “construção” do crime, pagamos 20 milhões pela reforma da pista de Congonhas que foi entregue sem o grooving, vimos o acidente com a aeronave da Gol, vimos as pessoas amontoadas nos aeroportos, vimos uma CPI não chegar a lugar nenhum, vimos os pontos cegos nos radares, os controladores de vôo, fomos informados e alertados, fomos cúmplices do caos e, também, dos homicídios. Vimos tudo e não fizemos nada.

Diante do nosso recorrente silêncio e abnegação o que mais me assombra é constatar que ainda carregamos em nossas almas o comportamento de colonizados, justificando tudo pela impotência que nos parece nata, mas que na verdade foi sugerida e assimilada a mais de 500 anos. Receio que o tempo mais uma vez nos cure, que a nossa comoção seja tão fugaz quanto as manchetes da mídia e que voltemos a viver em nosso velho carnaval felizes e complacentes com nossa abominável mediocridade.

Já passou da hora de assumirmos as rédeas da nossa pátria amada, chega de torcer sentado, é preciso descer ao campo e suar em busca da vitória, da justiça, da saúde, da segurança, da educação e, acima de tudo, do respeito à vida do nosso povo que há tanto morre nas estradas, nos hospitais, nas ruas e sobre nossas costas sem que nada seja feito. Está em tempo de salvarmos o que nos resta de indignação, de força, de coragem e de humanidade.