
Lembro-me apenas que estava escuro ... e, assim como descreveu um tal Saramago, a cegueira se instalou ... como quem adormece de pura estafa, sutilmente como um gemido de adeus, meus olhos deixaram de cumprir seu papel ... eu ceguei. Quando não se pode ver o que existe ao redor tudo torna-se grande demais, é assustador caminhar com a companhia do nada, a vastidão do que não se pode enxergar termina por enterrar a alma em uma cova profunda demais para obter luz e rasa demais para bloquear os sons.
Eu escuto meu silêncio gritando palavras que nem o breu pode disfarçar, eu sinto tudo com a intensidade que o vazio proporciona enquanto a ampulheta termina de escoar a areia finita. Quando se cega não é possível olhar nos próprios olhos, os espelhos se quebram, e com o tempo você acaba esquecendo do que era ... a imagem se desfaz em escuridão.
Eu escuto meu silêncio gritando palavras que nem o breu pode disfarçar, eu sinto tudo com a intensidade que o vazio proporciona enquanto a ampulheta termina de escoar a areia finita. Quando se cega não é possível olhar nos próprios olhos, os espelhos se quebram, e com o tempo você acaba esquecendo do que era ... a imagem se desfaz em escuridão.
Não existe beleza sem luz, não existem caminhos ... tudo que se tem é a solidão e a desorientação, de nada servem o norte ou sul, você caminha sempre em direção ao vazio ... se o de Saramago era claro, o meu é escuro ... apagado como apenas a ausência absoluta permite.
Para um cego, como me fiz, não há mais verdades ou mentiras o que resta são apenas as incertezas de quem não pode ver ... quando se está sem visão as lágrimas sempre correm ao ermo e secam em absoluta solidão!
