quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O fim
Ainda possuo algumas fotos ... centenas de sorrisos estáticos, mudos, que contam suas histórias apenas às minhas lembranças. São sonhos retratados, amigos de um tempo que passou, de sonhos que mudaram, de olhares que desaparecem antes mesmo do fim.Foram quatro anos e muitas horas acordados, foram segredos confessados, mãos estendidas para ajudar, aplaudir, brindar ou brigar ... não importa. Foram tantas as histórias que se integraram para contar um único momento, o fim do caminho conjunto ... a hora de dizer adeus.Não há como não sentir falta, mesmo uma separação anunciada consegue ser dramática quando encaramos as fotografias espalhadas, algumas promessas de eternidade, algumas amizades que, assim como nós, também concluem seu curso. Estive ali por quatro anos, presente em cada recordação, presente em um tempo que já parece passado ... Os rostos familiares mudaram, não se parecem mais com minhas memórias. Há algo de estranho em tudo isso ... os dias já não são os mesmos, já não sei onde estão, o que são ou pretendem ... todos parecem distantes agora. Acho que os finais devem ser todos assim, silenciosos e solitários. Existe uma mudez densa nas despedidas. Ela serve como trilha sonora para tudo que deveria ter sido dito e não foi, quando o momento certo nos escapa apenas o silêncio consegue expressar o que sentimos ... a saudade pesa, mesmo diante de uma grande conquista.Ao certo existe um ponto final nesta etapa, mas, ao mesmo tempo, existem inúmeras reticências individuais ... cada um com seus três pontinhos, todos com um ponto só. É assim que acontece. É assim que termina.De qualquer maneira, restarão sempre as recordações do que um dia fomos. Após o adeus ainda existe a torcida e o desejo de que o nosso tempo não se torne vão. Cada um terá sempre a lembrança muda dos melhores quatro anos de nossas vidas, aqueles anos que transformaram sonhos em verdades e colegas em saudade.Agradeço a cada integrante da ATC 2007/2 pelos momentos inesquecíveis que registraram em minha história ... Obrigada e boa sorte a cada um ... sempre!!!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Nem a distância nem o tempo ...
... o amor assim me ensinou. Velhas histórias, novos caminhos. Promessas amareladas que renascem em um novo sorriso. Aquele ao lado do meu no espelho de um banheiro. De um novo banheiro. O confessionário perfeito em uma segunda-feira com gosto de cerveja. Veneno gelado e amargo como a saudade.Me distraí e o tempo passou, mas ele não pôde levar seu vestido mais belo. Esse ficou. Está retratado, guardado como os segredos ... de agora, de ontem, de sempre!
Se a distância te leva, suas palavras te trazem ... me agarro nelas e me visto para a noite de uma segunda-feira. Outro banheiro. Um único reflexo. Lembro. Retoco o batom e brindo a mais uma recordação de "parar o Goias" ... Essa também fica.
É hora da festa ... da sua ... e da minha !!! Divirta-se Amiga ... até qualquer dia em algum banheiro por aí ... o amor me ensinou e você provou ... muito obrigada!!!
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Mais do mesmo
Não acredito em destino, ou pelo menos não tenho certeza, mas aquele cigarro continua queimando, foi ele que te trouxe até mim ... acho que é assim que te vejo, como um cigarro (loucura? Pode ser ... eu não gosto muito da normalidade) ... absorvo pedaços de você, aos poucos sinto sua essência se espalhar pelo meu corpo e, como o monóxido de carbono, sei que ainda me causará dor, mas ainda assim sua presença me alivia, seu veneno me dá prazer e sou dependente da sensação de tê-lo preso aos meus lábios.Me viciei no cheiro do seu abraço, e aí vai mais um maço, amanhã outro ... sua presença é forte, o efeito é rápido, por mais que tente me livrar minha alma necessita das suas substâncias ... para falar a verdade detesto me apaixonar, já sou tão confusa ... a paixão só consegue trazer mais perguntas e você não me dará as respostas. No fim, você queimará minha boca, perpetuará seu cheiro pelos meus dedos, deixará suas marcas em mim e... quando menos esperar, o filtro apagará a chama e sobrará apenas as cinzas e a ânsia de tê-lo aqui.
Provei do melhor e do pior do amor, senti o suave calor do teu corpo e o gosto amargo das lágrimas que você arrancou de minha alma, conheci os dois lados do seu sorriso e o pior é que aprendi a adorar os dois. Se estaremos juntos amanhã?! Sinceramente eu não sei, tudo que posso garantir é que vou guardar o melhor de você, vou tê-lo como um daqueles tesouros que passamos uma vida inteira procurando, vou tatuar nos meus olhos seu sorriso mais aberto, seu beijo mais doce e nunca vou abrir espaço para ninguém me conhecer como você. Seria impossível esquecer do teu olhar e no efeito devastador que ele causa em mim, reviraria o mundo para não deixar que seu brilho se apagasse, acho que nunca falei isso antes, mas sempre admirei sua coragem, sua determinação, encontrei em ti a segurança que sempre busquei em mim e que nunca achei. Sabe o que realmente me deixa intrigada nisso tudo? Sempre desejei alguém exatamente igual a mim, alguém que provavelmente estaria muito aquém do meu alcance, e de uma hora pra outra te descubro a alguns passos de mim, vindo de um mundo antagônico ao meu e é exatamente em ti que eu encontro tudo aquilo que sempre almejei.
Você conquistou todos meus sentidos, invadiu cada um dos meus sonhos, roubou minhas horas de sono e me mostrou sensações que eu nunca pensei existirem. Hoje só posso dizer que sua felicidade passou a ser minha maior prioridade e que independentemente do que venha a acontecer ninguém mais me terá como você me teve.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Carta à humanidade
As pessoas constroem seus castelos de areia e acabam esquecendo que um dia o mar avança, criam fantasias em torno de sua própria existência por não serem fortes o bastante para suportar a dor, aprisionam o que dizem amar porque sabem que são incapazes de admitir seus próprios erros, criam rótulos para tudo que invejam por não terem coragem de lutar, se alimentam de utopias por preguiça de mudar a realidade, inventam mundos e se deixam cegar por suas próprias mentiras, repetem o que lhes foi transmitido mesmo sem saber exatamente do que se trata. Fingem. E aqui estamos nós em nosso teatro cotidiano, em nossas prisões de papel coloridas com tinta guache, subsistindo a cada segundo, acreditando que um dia seremos recompensados por abrirmos mão da nossa felicidade e, crendo que a vida é assim mesmo. Desculpem-me os aristocratas e conservadores de plantão, mas a verdade é que somos carcereiros de nós mesmos, criamos nosso próprio purgatório por supormos que o mundo que é cruel demais. Todos os dias sorrimos gritos de desespero, esperamos que algo nos salve de nossa ignorância, mas jamais abrimos mão da arrogância humana que sempre se julgou superior.O futuro é sempre nossa solução para tudo, nos absolvemos de nossos pecados em datas marcadas, ajudamos por piedade e nos julgamos melhores por isso, esquecemos que amor é uma palavra sagrada e o culpamos por nossas ações mais mesquinhas e patológicas. Envenenamos nossos corpos em busca do alívio que existe na nossa remota essência, trocamos a inteligência dos heróis pela esperteza dos tiramos em busca da recompensa imediata, compramos o que deveríamos conquistar, viramos marionetes de nós mesmos.
E, prosseguimos, sempre ao lado da nossa vaidade absoluta, fugindo da solidão em outras pessoas por não suportarmos conviver com nossa figura, indo a caminho do caos por medo de ser diferente, acendendo nossa fogueira sem perceber. Somos tolos, autopiedosos, egoístas e hipócritas, este é nosso maior adjetivo, não amamos nem a nós mesmos, então criamos caricaturas para que o resto das pessoas sintam, ao menos, afeição pelo nosso personagem. Em resumo, temos medo da realidade crua criada pela nossa maldade, vergonha do que somos e dos que corrompemos, criamos nosso grandioso castelo de areia e ignoramos que o oceano é imensamente maior e está muito próximo, seremos arrastados e soterrados em nossa criação.
Aos que tiverem coragem eu proponho fugir da costa e nos unirmos para construir um novo lar, com bases fortes e reais, preciso dizer que o processo é cansativo e doloroso, mas é uma nova chance para sermos verdadeiramente humanos e deixarmos cair as máscaras que nos aprisionam e sugam nosso curto tempo.
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