A vida irrompe a aridez da tela empalidecida, ganha formas cores e acontece, verdadeiramente acontece. Nada me parece mais palpável. Apenas durante essa incrível submersão a noção de tempo pode ser sentida, o presente está vivo, é vivido, ganha vida no momento que as letras se unem e se seguem.
Aqui não há nada a ser dito é apenas uma experiência de alcançar o inatingível, o momento exato da criação, do nascimento, da ocupação de um espaço que não existe e, mesmo assim, pode se desfazer em um único toque.
Gosto da resignação que o nascimento exige, enquanto as coisas se fazem eu apenas escorrego os dedos pelas teclas e deixo que o universo se crie no instante que as palavras lhe dão contorno. O instante de Cecília, o instante já que apenas ela seria capaz de expressar.
Estrelas celestes surgem, mares e piratas com bandeiras cavernosas acontecem no presente mais imediato que a mente atinge. Basta lançar à tela que a vida se faz diante do olhar que a lê, é magia pura, é plenitude vital que ludibria os sentidos.
