
Minha janela enquadra a paisagem móvel do dia-a-dia. Os carros passam sem rastros nem histórias, participam de um momento único, tornam-se pinceladas em uma tela mutante, o retrato efêmero do movimento incessante que orienta a vida que se passa lá fora.
Aqui dentro, tudo que vejo são estantes entulhadas de tudo aquilo que não sei, o relógio na parede marca o tempo já não tenho e as caixas guardam restos de sonhos adiados, de tempos de um passado tão distante que já não pertencem mais a mim. Permaneço assim, imóvel, observando através da transparência, buscando proteção nos milímetros que me separam da fugacidade do que está além.
A travessia entre o cá e o lá pode ser mínima, mas a dor do ato é imensa. É preciso coragem para assumir a própria transitoriedade, a sua pequenez diante da aquarela que te prende e te apaga, do seu tudo que lá não é nada. O que persiste é apenas o movimento que te leva e descolore ... a janela distante se fecha e quando volta a abrir revela uma nova paisagem da qual já não faço mais parte.
Aqui dentro, tudo que vejo são estantes entulhadas de tudo aquilo que não sei, o relógio na parede marca o tempo já não tenho e as caixas guardam restos de sonhos adiados, de tempos de um passado tão distante que já não pertencem mais a mim. Permaneço assim, imóvel, observando através da transparência, buscando proteção nos milímetros que me separam da fugacidade do que está além.
A travessia entre o cá e o lá pode ser mínima, mas a dor do ato é imensa. É preciso coragem para assumir a própria transitoriedade, a sua pequenez diante da aquarela que te prende e te apaga, do seu tudo que lá não é nada. O que persiste é apenas o movimento que te leva e descolore ... a janela distante se fecha e quando volta a abrir revela uma nova paisagem da qual já não faço mais parte.

